quinta-feira, 5 de março de 2015

VOLUNTARIADO

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A fábrica de preservativos Natex retoma a sua linha de produção a partir das 6 horas da manhã desta sexta-feira, 6, depois de suspender suas atividades por quase uma semana em razão da maior alagação da história das regiões do Alto e Baixo Acre. Durante o período mais grave da enchente em Xapuri, os colaboradores da indústria se dedicaram ao voluntariado.

Dos 170 funcionários da empresa, 19 foram afetados diretamente pela enchente. Do restante, diferentes equipes foram formadas para ajudar a Defesa Civil em ações como remoção de famílias, preparação e gerenciamento de abrigos, realização do cadastro social dos desabrigados e desalojados, juntamente com os setores de Assistência Social, e limpeza das casas no período pós-enchente.

“A participação da Natex neste momento de muitas perdas em Xapuri foi um envolvimento de cidadania, um movimento voluntário de total doação”, disse Dirlei Bersh, diretora-presidente da Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), que administra a empresa.

Na manhã desta quinta-feira, 5, os funcionários da Natex receberam a visita de agradecimento de uma equipe formada por coordenadores das ações de Defesa Civil mobilizadas em Xapuri durante a enchente. Participaram do encontro o secretário de Estado de Segurança Pública, Emylson Farias, representando o governador Tião Viana, o promotor de justiça Bernardo Albano, o tenente César do Corpo de Bombeiros Militar do Acre e o tenente Santos, do 7º Batalhão de Engenharia e Construção (7º BEC).

“Nós temos que agradecer a todos os funcionários da Natex, em nome de sua direção, pela demonstração de humanidade e de doação pela população de Xapuri”, afirmou o secretário Emylson Farias.

A Natex produz atualmente 100 milhões de preservativos por ano e começará este a executar o projeto de duplicação dessa capacidade. Toda a produção da indústria acreana é absorvida pelo Ministério da Saúde para Programa Nacional de DST/Aids.

quarta-feira, 4 de março de 2015

É HORA DE PENSAR NO FUTURO

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Carlos Estevão Ferreira Castelo

O município de Xapuri viveu nos últimos dias de fevereiro de 2015 a maior “alagação” de sua história. Nunca antes, pelo menos que eu tenha visto nesses meus quarenta e tantos anos, as águas tinham “adentrado” a Igreja Matriz de São Sebastião. Durante o pico da cheia, e na vazante também, estive na cidade colaborando no que foi possível com familiares, vizinhos e amigos.

Nos dias que permaneci em minha cidade natal presenciei choros, raivas, fofocas, roubos, cobras, “selfies”, aranhas, lama, destruição, falta de água e luz, perdas de bens materiais e solidariedade. Muita solidariedade mesmo. Inclusive, nesse ponto eu e minha família seremos eternamente gratos a todos aqueles que nos ajudaram (fomos “duplamente atingidos” pela cheia - residência e casa comercial).

Agora que as águas baixaram é hora de pensar no futuro. Pensar no que fazer.

Concordo com o Professor Sérgio Souza que o momento é propício para reflexões, principalmente sobre as causas dos alagamentos. Entretanto, nesse rápido post, não problematizarei sobre o que pode ter provocado a “cheia histórica”. Até tenho algumas argumentações, mesmo sem ter especialização alguma na área, mas isso pode ser debatido em posterior momento. A proposta aqui é apresentar uma ideia sobre o que poderia ser feito “daqui para frente”.

Penso que é preciso ter clareza sobre a complexidade de calcularmos os totais prejuízos da população (prejuízos de todas as ordens). Entretanto, mesmo assim, precisamos estimar e prever as demandas que virão. Não sou engenheiro, mas não é tão difícil concluir que a recuperação total de bairros atingidos, das ruas, dos sistemas de drenagem, das plantações, etc. demorarão certo tempo. Eu estimo dois a três anos.

Portanto, um pacto social será necessário no processo de reconstrução de Xapuri. Essa é a proposta. Penso que políticos, empresários, trabalhadores, religiosos, etc., deverão se unir. Se não for assim, dificilmente as iniciativas que precisarão ser tomadas acontecerão.

E uma das tarefas resultado desse pacto é a elaboração de um “plano de reconstrução”. Um plano demostrando, com evidências, todas as intervenções necessárias no município. De prevenção, de contenção, de reconstrução (esgotos, transporte, saneamento, etc.). Um documento técnico, com farta documentação (fotos, depoimentos, estatísticas, etc.), a ser entregue nos Ministérios em Brasília. Que obras são importantes? Que ministério é responsável? Como as famílias que ocupam atualmente áreas de risco serão convencidas a sair? Há muito que fazer.

Esse plano será importante, também, para convencer que Xapuri precisa de um tratamento diferenciado. Não só Xapuri, mas Brasileia, Rio Branco, enfim. Brasília precisa tratar diferente quem mora nesse Estado. Por exemplo: porque não as instituições financeiras, que tanto lucram nesse país, reduzirem seus ganhos nesse momento disponibilizando dinheiro mais barato para os atingidos (empresas e trabalhadores)?

Estou disposto a colaborar, sempre.

Carlos Estevão Ferreira Castelo é xapuriense. Filho do Estevão e de dona Aurélia. Saiba um pouco mais sobre ele clicando aqui.

ANTES DE TUDO UM FORTE

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Tomo emprestado um pedaço da famosa frase de Euclides da Cunha em “Os Sertões” para exaltar a força desse povo acreano que, descendente dos nordestinos, sertanejos ou não, é antes de qualquer coisa dono de uma força e de uma bravura imensuráveis.

Pessoas como o sanfoneiro Juvenal Aquino (foto) são capazes de transformar sofrimento em esperança, tristeza em fé e o sentimento de perda em uma alegria que deixou meio sem jeito o blogueiro que a ele se dirigiu com ar circunspecto diante do cenário de tragédia produzido por uma enchente sem precedentes, da qual ele foi uma das muitas vítimas.

Juvenal nasceu no seringal Apodi, nas margens do Rio Xapuri, sendo o único xapuriense de 12 irmãos. Seus pais, Teodoro, um cearense de Sobral, e sua mãe, Rita, uma paraense de Castanhal, vieram para o Acre nos anos de 1940. Na viagem de barco até as matas de Xapuri, perderam três dos 11 filhos que traziam a reboque para esses confins da Amazônia.

Na cidade, onde chegou rapazote, se tornou sanfoneiro de prestígio e uma das pessoas mais queridas e respeitadas da comunidade. Sua casa noturna batizada Forró do Juvenal conquistou status de local de visita obrigatória. “Quem vai a Xapuri e não conhece o forró do Juvenal, perdeu a viagem”, costumava dizer o radialista Washington Aquino.

Nessa tragédia que atingiu Xapuri, Juvenal Aquino teve inundados tanto a casa de morada quanto o famoso salão de forró, de onde há mais de 30 anos tira o sustento da família. A exemplo da maior parte das pessoas atingidas pela enchente, não acreditou que o rio pudesse se enfurecer tanto, e perdeu quase tudo do pouco que tinha.

Entre os muitos pertences que foram perdidos na enchente estavam duas estimadas sanfonas de 48 baixos, que foram insensatamente levadas pelas águas. Não é necessário que ele diga para que se compreeenda que essa foi, sentimentalmente, a perda mais dura. Com a sanfona Juvenal Aquino possui um caso de amor que já foi tema de postagem neste blog.

Contudo, o encontrei na manhã da última terça-feira, 3, no lugar de sempre, com duas de suas características mais marcantes: o indefectível boné e o velho sorriso franco a lhe iluminar o semblante. Vassoura, rodo, balde e pano na mão. No peito, certamente, um coração ainda mais cheio de amor e de coragem para tocar a vida adiante, apesar dos pesares. Juvenal Aquino é antes de tudo um forte.

terça-feira, 3 de março de 2015

DIMENSÃO DA ENCHENTE

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A imagem de satélite mostra a área que foi inundada na região em Xapuri e região adjacente. Segundo os dados do geoprocessamento feito pela prefeitura, ela tem o tamanho de 14.890 hectares. A alagação atingiu 42,13% da zona urbana adjacente e 24,98% da área urbanizada.

A enchente expulsou de casa 2.425 pessoas. A maior parte delas está abrigada na casa de parentes e aderentes. O restante se encontra nos abrigos preparados pela prefeitura e pelo governo. Algumas não voltarão para as suas casas, pois elas não mais existem. Desceram o rio.

OPINIÃO

“Discordo dos que defendem que o momento não é propício para reflexões sobre as causas dos alagamentos nas cidades do Alto e Baixo Acre. Penso, inclusive, que instituições como a UFAC devem instituir linhas de financiamento para pesquisas na área. O evento, que atingiu milhares de pessoas, não pode ser compreendido como mera "tragédia natural", pois, se assim for, corre-se sério risco de que se repita no decorrer dos anos vindouros. Explicações precisam ser dadas. A primeira delas, seria analisar o índice pluviométrico dos últimos dez anos, para saber se o problema foi excesso de chuvas. Outra possibilidade é analisar o impacto dos desmatamentos, principalmente de matas ciliares, nos processos de assoreamento dos rios”. Sérgio Roberto Gomes de Souza, historiador e professor da UFAC.

DESBARRANCAMENTO AFETA MIRANTES BAR

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Um dos pontos mais frequentados de Xapuri, a casa de festas Mirantes Bar teve parte de sua estrutura levada por um desbarrancamento ocorrido por volta das 8 horas da manhã desta terça-feira, 3. O local já estava interditado pelo Corpo de Bombeiros desde quando a vazante revelou a possibilidade de desmoronamentos naquela área.

Toda a orla do Rio Acre na extensão que abrange as ruas Major Salinas, 6 de Agosto e 17 de Novembro apresenta sinais de comprometimento. Nos dias 1º e 2 de março, o efetivo do Corpo de Bombeiros Militar do Acre vistoriou 271 imóveis atingidos em Xapuri, interditando 87 deles, sendo que 69 tiveram interdição total e 18 tiveram interdição parcial. 

Encontram-se em Xapuri dois engenheiros da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras Públicas – SEOP – fazendo a avaliação dos imóveis vistoriados pelo Corpo de Bombeiros. A Coordenação de Defesa Civil aguarda o resultado desse trabalho para entrar na fase em que o retorno dos moradores às suas casas será discutido.

O desejo de fazer a limpeza dos imóveis e até planos de um retorno imediato fizeram com que muitas pessoas entrassem nas casas e estabelecimentos comerciais, apesar dos adesivos de interdição já estarem afixados aos mesmos. O desmoronamento ocorrido no Mirantes bar fez com que alguns mudassem de ideia, o que sinal de prudência.

A foto é de Haroldo Sarkis, do blog Xapuri em Destaque.

DEVASTAÇÃO

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As imagens que sucedem a vazante do Rio Acre em Xapuri são impactantes. Acima, está o que já foi a praça São Sebastião. Abaixo, o que restou do Mirantes Bar, um dos principais pontos de encontro da noite local.

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Intacta, apenas a imagem do santo padroeiro da cidade, que resistiu bravamente à força das águas e dos balseiros que a encobriram. Alguns acharam que sucumbiria, mas o santo é forte.

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IFAC SE MOBILIZA EM ENCHENTE HISTÓRICA

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Em reunião realizada na manhã, desta terça-feira, 3, no Gabinete Institucional do Instituto Federal do Acre, coordenada pela reitora Rosana Cavalcante dos Santos, com a participação de pró-reitores e diretores sistêmicos, ficou decidida que a mobilização do Instituto Federal do Acre – IFAC, a partir de agora, devido à enchente do Rio Acre, será concentrada nas ações a serem desenvolvidas no Câmpus Avançado Baixada do Sol, que hoje abriga 50 pessoas, sendo 16 crianças.

Desde o início da enchente que o IFAC se mobilizou para participar do apoio aos desabrigados, através da coleta de doações na Reitoria, Anexo da Reitoria e demais unidades. Além de ser ponto de recolhimento de doações nos câmpus, o IFAC/Câmpus Xapuri funcionou como Central para Sala de Situação no Alto Acre, coordenada pelo secretário de Estado de Segurança Pública, Emylson Farias.

Durante a enchente e neste momento, o diretor Geral do Câmpus, prof. Joel Lima, juntamente com a equipe de apoio, formada por docentes, técnicos e terceirizados, atenderam aos desabrigados e também disponibilizou a estrutura da unidade como local de funcionamento dos Correios e guarda de equipamentos do Hospital Epaminondas Jácome. A reitora acompanhou, nesta segunda-feira, 2, as ações desenvolvidas, durante visita àquele Câmpus.

Na reunião de hoje ficou definida a criação de três equipes que irão atuar em apoio à direção geral do Câmpus Avançado Baixada do Sol: Recebimento, Acompanhamento e Logística. A reitora informou a todos que em Xapuri, as equipes organizadas atenderam aos desabrigados, sendo um importante núcleo de apoio às autoridades locais.

Os pró-reitores e diretores sistêmicos organizarão e participarão das equipes que serão integradas por servidores que atuarão como voluntários. Na reunião a reitora disse que a suspensão das aulas no Câmpus Xapuri e no Câmpus Avançado Baixada do Sol permanece até o dia 6 de março (sexta-feira). Informou, ainda, que o site institucional está fora do ar, mas que as informações serão repassadas aos servidores através da página da Rede IFAC no Facebook e do e-mail institucional, até que o site volte a funcionar.

segunda-feira, 2 de março de 2015

RESPEITO É BOM, CONSIDERAÇÃO IDEM

É surpreendente como muita gente perdeu a noção de respeito e de consideração pelo semelhante. Isso acontece em vários aspectos da vida e em alguns deles poderia até certo ponto se explicar em razão do mundo competitivo e cada vez mais individualista em que vivemos. Mas não consigo entender como um comportamento normal que algumas pessoas se utilizem desse instrumento chamado rede social para ofender e achincalhar seus irmãos por conta de política partidária.

Chegam a dar nojo as postagens prontas, eivadas de ódio e preconceito, que são compartilhadas insana e continuamente, insultando e agredindo, da maneira mais sórdida e baixa, principalmente nordestinos, pelo fato de votarem como acham que devem. Do ponto de vista geral, isso não chega a causar grandes problemas, afinal de contas vivemos em um país onde racismo, xenofobia, discriminação social, apologia ao nazismo e à ditadura militar são coisas cada vez mais comuns, muitas vezes contando até mesmo com o endosso da grande mídia, de maneira velada.

A coisa ganha uma dimensão mais desagradável quando ocorre em meio a pessoas que convivem numa pequena comunidade como Xapuri, que não dificilmente estão a precisar umas das outras independentemente dos times para que torcem, se são católicos ou evangélicos, pretos ou brancos, gays ou heterossexuais. E a propósito, vivemos um desses momentos. Instante de tragédia, de união, de solidariedade e de irmandade. Mesmo nesse momento, há desalojado ao computador tachando de burro o seu vizinho por que este votou na Dilma Rousseff para a presidência ou no Tião Bocalom para o governo.

A partir de hoje, pessoas que postarem ou compartilharem esse tipo de discriminação entre os que estão na minha lista serão excluídos tanto das minhas relações virtuais quanto desse muito real mundinho de falsidades e hipocrisias em que somos obrigados (ou não) a tolerar pessoas que não merecem o mínimo de respeito não por terem votado em tucanos ou petistas, mas meramente pelo fato de serem extremamente intolerantes e preconceituosas, por se considerarem acima do bem e do mal, a despeito de notoriamente terem suas relações sociais e outras mais sempre pautadas na bajulação e no oportunismo barato.

Sou petista há 14 anos. Votei em Dilma Rousseff e Tião Viana. Trabalho para o estado do Acre e com a equipe do atual governo. E exijo que me respeitem não por conta dessa condição, mas porque sou um brasileiro que paga os escorchantes impostos a que todos estão submetidos, que enfrenta as mesmas dificuldades na hora de abastecer a motocicleta que possui como único meio de transporte, que também reluta em aceitar a constante alta de preços nas prateleiras dos supermercados, e que mesmo assim continua a trabalhar e a respeitar os seus iguais.

Que me perdoem o mau jeito aqueles que tanto prezo e que não são merecedores desse desabafo.

AULAS SUSPENSAS NO IFAC XAPURI E BAIXADA DO SOL

A Reitoria do Instituto Federal do Acre – IFAC  - divulgou nesta segunda-feira, 2, comunicado aos alunos, docentes e técnicos dos Câmpus Avançado Baixada do Sol e Xapuri, que as aulas estarão suspensas no período de 02 a 06 de março de 2015.

O motivo da suspensão das aulas é em função da enchente do Rio Acre, que alagou as instalações do Câmpus avançado Baixada do Sol neste final de semana. Em Xapuri, as instalações do Câmpus do IFAC estão sendo utilizadas como abrigo para os desabrigados e atendimento do Hospital.

A reitora do IFAC, profa. Rosana Cavalcante dos Santos, disse que este é um momento difícil e que as medidas de apoio aos alunos, docentes e diretores das unidades estão sendo adotadas. “Estamos adotando as medidas legais e de apoio aos desabrigados, em Xapuri, e na Baixada vamos atuar para que os equipamentos sejam preservados”.

A suspensão das aulas não trará prejuízo para o calendário acadêmico, disse a reitora. “Precisamos dar atenção aos desabrigados em Xapuri e também devemos nos preocupar com a segurança dos alunos e servidores do Câmpus Avançado Baixada do Sol”.

O Instituto Federal do Acre informou ainda à comunidade, servidores e alunos que o site institucional (www.ifac.edu.br) se encontra fora do ar para serviços de manutenção na rede elétrica do prédio da Reitoria, localizado na Rua José Galdino – Bosque – Rio Branco. A equipe de manutenção está trabalhando nos serviços da rede elétrica e a previsão é que deverá voltar a funcionar nesta terça-feira, 03 de março de 2015.

DEFESA CIVIL NACIONAL AVALIA PREJUÍZOS

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O analista técnico da Defesa Civil Nacional, Reinaldo Soares Estelles (de barba e crachá), esteve em Xapuri nesse domingo, 28, para fazer levantamento dos prejuízos causados pela enchente que atingiu mais de 42% da área urbana do município e verificar o nível de resposta que as Defesas Civis Estadual e Municipal estão dando para o desastre natural que fez com que mais de duas mil pessoas deixassem seus lares.

Acompanhado do secretário de Estado de Segurança Pública, Emylson Farias (ao telefone), que está coordenando as ações da Defesa Civil Estadual durante a enchente em Xapuri, e do prefeito Marcinho Miranda (primeiro da esquerda para a direita), Estelles vistoriou os estragos causados no bairro Braga Sobrinho e no centro da cidade e recebeu informações detalhadas da Coordenação de Defesa Civil a respeito da situação dos abrigos públicos disponibilizados às famílias desabrigadas pela cheia.

O técnico da Defesa Civil Nacional também se reuniu com os membros das Defesas Civis Estadual e Municipal com o objetivo de orientar sobre a elaboração do Plano Detalhado de Resposta (PDR), que possibilitará ao município o acesso a recursos federais para ações de assistência humanitária. De acordo com Estelles, a Defesa Civil Nacional age de maneira complementar às ações estaduais e municipais buscando que esses dois entes consigam dar a melhor resposta possível à situação de desastre.

“Nós viemos aqui orientar a Comdec – Coordenadoria Municipal de Defesa Civil - e fazer um trabalho junta à Defesa Civil Estadual no sentido da obtenção de recursos tanto para as ações de resposta, que é socorro, assistência e restabelecimento emergencial, quanto para ações de reconstrução da melhor forma e o mais rápido possível”, afirmou.

Para o coordenador da Defesa Civil Municipal, Joscires Ângelo, a vinda do técnico da Defesa Civil Nacional a Xapuri tem uma grande importância para o correto detalhamento das informações necessárias para que o Plano Detalhado de Resposta seja bem sucedido.

“A oportunidade de tirarmos dúvidas pessoalmente e de entregarmos em mão alguns documentos com informações importantes sobre a situação do município torna muito mais fácil e seguro o nosso trabalho”, disse.

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O Plano Detalhado de Resposta é o documento que detalha as ações que o ente beneficiário pretende executar com os recursos financeiros transferidos pelo Ministério da Integração Nacional (especificando quantidades, prazos, recursos necessários para a consecução de cada meta com seus respectivos itens ou etapas) e as necessidades de recursos materiais em atendimento às ações de assistência humanitária.

SANS–CULOTTES E SEM COLETES

heróis anônimos das alagações em Xapuri

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Sérgio Souza

Convém, inicialmente, explicar que o termo Sans-culottes era utilizado durante a Revolução Francesa, ocorrida no final do século XVIII, para designar trabalhadores e pequenos proprietários que contestavam o poder dos aristocratas. A denominação era uma maneira de a nobreza caracterizá-los como plebeus, já que “culottes”, no período, constituía-se em uma peça do guarda roupa nobre. Era, basicamente, uma espécie de calção, com elásticos próximos aos joelhos. No lugar de utilizar a citada peça, os pobres do período usavam calças retas, feitas de algodão.

Neste pequeno texto, que terá como referência cronológica o período em que as águas do rio Acre inundaram Xapuri, nossos plebeus contemporâneos também serão caracterizados pela ausência de uma peça em seus vestuários, no caso, os coletes, vistosos coletes utilizados por alguns agentes públicos. Por esse motivo, serão denominados como “sem coletes”.

Antes, no entanto, penso ser importante ressaltar a maneira como o movimento das águas causou surpresas e espantos em Xapuri. Sempre acreditei que telefonemas, por si, são capazes de gerar certa incredulidade. Afinal, o fato de amar incondicionalmente minha mãe, parecia-me não ser suficiente para reproduzir a informação que a casa das minhas Tias Déa e Euri, em Xapuri, iriam ser tomadas pelas águas do rio Acre. Foi preciso ver pra crer.

Mochila preparada, carona devidamente organizada, parti para Xapuri na companhia de minha prima Fátima Figueiredo. Duas horas depois chegávamos à cidade, ou o que restava dela. Sem muitas delongas, fomos de imediato à Rua Floriano Peixoto, espécie de cais improvisado para as pequenas embarcações que traziam mudanças de pessoas atingidas por essa tragédia produzida, fundamentalmente, pela ganância humana e a efetiva falta de políticas públicas, capazes de proteger as florestas, principalmente as localizadas as margens dos rios.

Um fato, no entanto, saltou-me aos olhos de imediato. No trajeto que fazia, junto com amigos e parentes, em direção a casa alagada de minha tia Euri, percebi que os que estavam em meio às águas, demonstrando solidariedade, ajudando com a retirada de móveis e utensílios domésticos, não estavam vinculados a nenhum órgão governamental, faziam de forma espontânea, sem se importar se seus rostos iriam se estampados nas primeiras páginas dos jornais. Tampouco precisavam forçar um semblante contrito, pelo contrário, conversavam e, em alguns casos, aliviavam o peso do trabalho e o frio, ocasionado pela presença prolongada nas águas gélidas, com generosos goles de aguardente.

Por outro lado, observei a existência de outro grupo. Seus membros usavam vistosos coletes, mas, poucos deles demonstravam disposição para entrar nas águas e ajudar quem perdia o pouco que tinha. Estes pareciam exercer funções gerenciais. Não foi difícil identificá-los, tratava-se de agentes públicos, vinculados ao Governo do Estado e a Prefeitura Municipal. Não demorou para que passassem a ser chamados de “o pessoal de colete”. O termo foi se tornando pejorativo, quase que sinônimo de malemolência. Notava-se, no entanto, a preocupação de alguns do grupo em registrar tudo que se passava, principalmente se alguma autoridade aproximava-se dos locais alagados. Câmera na mão a procura do melhor ângulo, sorriso disfarçado, aperto de mão em algum transeunte e pronto, “olha o passarinho”!

Também impossível passar despercebido os caminhões do Exército Brasileiro que, segundo as “línguas de plantão”, rodavam mais que contribuíam. Interessante frisar que para ter acesso a estes veículos e ao decorrente apoio dos militares, precisava solicitar ao capitão, devidamente posicionado no front improvisado, no interior do prédio da Prefeitura. Ressalte-se que não era assim tão fácil conseguir a benevolência do dito. Também não me perguntem se era necessário solicitar o socorro urgente em três vias, e a autorização vir em forma de um “carimbaço”.

Para completar a sanha dos “fariseus”, como se não bastasse mais nada, eis que uma enorme comitiva de reluzentes caminhonetes adentram a caótica cidade. De pisca alerta ligado, os carros chamavam atenção por onde passavam, cheguei a pensar, inclusive, que esta era intenção dos que estavam em seu interior, depois, no entanto, imaginei que a miséria humana não chegaria a tanto, ou chegaria? Pois bem, depois a referida comitiva dirigiu-se ao Colégio Divina Providência, sem que a maioria das pessoas entendesse o que estava acontecendo. Só depois se soube que o ministro da Integração Nacional, acompanhado de um restrito círculo de “autoridades”, viera verificar a situação, e assim o fizera em não mais que cinco minutos. Deixara a promessa de construir casas para os que perderam tudo na alagação, dizem que duzentas no total. Novidade nenhuma, afinal, este é um momento fértil para exageros.

Depois da rápida estadia, espécie de “visita de médico”, para utilizar um termo corriqueiro em Xapuri, saíram da cidade, também enfileirados, da mesma forma chamativa com que entraram. Foram cantar em outra freguesia. Ficaram, no entanto, os sem coletes. Permaneceram dentro da água, ajudando, contribuindo, minimizando a dor. Fazendo tudo sem algazarra, sem tocar os sinos a cada boa ação praticada.

Sérgio Roberto Gomes de Souza é filho da professora Nadir e do João Mucuim. É também historiador e professor da Universidade Federal do Acre.

REFLITAMOS!

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Bertolt Brecht.

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O Rio Acre baixou em Xapuri depois de impor à cidade a maior enchente de sua história. Essa alagação quebrou o conceito equivocado de que o rio apenas chegava até certo ponto. Que o risco de arribar de casa com o colchão na cabeça e de passar dias em abrigos públicos ou de favor em casas de parentes era exclusividade daqueles que vivem pendurados no barranco do rio.

A natureza mostrou e continuará mostrando que ninguém está impune aos desmandos ambientais que desde sempre têm tido a nossa conivência. Protestamos contra a corrupção, pedimos o impeachment de presidentes, mas muito pouco reagimos com relação à forma como o sistema trata o meio ambiente e, principalmente, quanto à própria maneira com que nós mesmos cuidamos do planeta em que vivemos.

domingo, 1 de março de 2015

MÃOS À OBRA

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Para os xapurienses, o domingo está sendo de muito esforço na limpeza das residências e das casas comerciais. Apesar de o Corpo de Bombeiros ter interditado vários imóveis, cujas estruturas foram visivelmente afetadas pela cheia, muitos moradores e comerciantes não atenderam às recomendações da Defesa Civil e iniciaram o trabalho de retirada da lama e do lixo que se acumulou no interior dos prédios.

CENÁRIO DE DESTRUIÇÃO

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A vazante do Rio Acre em Xapuri revelou, na manhã deste domingo, 1º, um cenário de destruição no centro comercial da cidade. Com a descida das águas, restou muita lama, entulhos e imóveis seriamente danificados pela força da correnteza de uma enchente que atingiu o nível recorde de 18,28 centímetros, o que resultou no maior desastre natural da história do município.

UTILIDADE PÚBLICA

Alheias ao risco de doenças, crianças brincam nas contaminadas águas que inundavam a praça São Gabriel, na tarde deste sábado, 28

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O Rio Acre já está voltando à sua calha. Nas ruas da área central da cidade restam lama e muito lixo. A Defesa alerta a população para os cuidados com as águas da enchente, pois favorecem o surgimento de leptospirose.

A doença é causada por uma bactéria presente na urina de ratos que, com as chuvas, se mistura às águas de valetas, lagoas e cavas. Essa bactéria penetra no corpo humano através de pequenos ferimentos na pele.

Para evitar casos da doença, a população deve tomar alguns cuidados em caso de contato com água contaminada. Clique aqui para se informar mais a respeito da doença e de como se prevenir contra ela.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

VAZANTE

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Com a chegada da vazante, o trabalho de limpeza já começou em alguns pontos alagados pela cheia histórica que atingiu Xapuri. No entanto, a maior parte da área central da cidade continua inundada, com o nível do Rio Acre ainda superior à última grande enchente, ocorrida em 2012, que chegou a 15,57 metros.

RIO ACRE BAIXA DOS 18 METROS EM XAPURI

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Na manhã deste sábado, 28, o nível do Rio Acre desceu da casa dos 18 metros em Xapuri. Às 11:25 da manhã, a medição registrava 17,47 metros, ainda 1,90 metros acima da cota da última grande enchente, ocorrida em 2012, que foi de 15,57 metros.

Nas imediações da igreja de São Sebastião, o trabalho de limpeza já foi iniciado. No entanto, a maior parte da área central ainda continua inundada. Clientes do Banco do Brasil estão impossibilitados de sacar dinheiro e a agência dos Correios também não funciona.

A cidade também passa por uma séria crise de desabastecimento de água, em razão de a principal estação de tratamento do Depasa – Departamento de Pavimentação e Saneamento – ter sido gravemente atingida pela enchente. Paliativamente, o órgão está abastecendo a população com quatro caminhões-pipa.

O último boletim divulgado pela Coordenação de Defesa Civil informa que Xapuri tem 791 famílias atendidas, entre desabrigadas e desalojadas, um total de 2.363 pessoas. Desse total, 405 são crianças com idade entre 0 e 8 anos. 237 têm entre 9 e 18 anos e 271 são idosos. Os adultos são 1.448. Os desabrigados estão em 14 abrigos públicos.

Além da Prefeitura, que teve alagados os setores de administração, finanças, planejamento e  assistência social, mais 24 órgãos públicos das esferas municipal, estadual e federal foram atingidos pelas águas. 

Outros pontos de referência que não escaparam da enchente foram a igreja de São Sebastião, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, a loja maçônica Bandeirantes do Acre nº 01 e a Cooperativa Mãos de Mulher.

Também foi duramente atingido pelas águas o centro de memórias que reúne a Fundação Chico Mendes e a casa em que ele viveu os últimos anos de sua vida, que foi tombada como patrimônio histórico nacional em 13 de fevereiro de 2008.

As áreas afetadas pela maior alagação da história de Xapuri incluem, além do centro da cidade, mais 6 bairros e várias localidades da zona rural. A Coordenação de Defesa Civil estima que 40% da área urbana de Xapuri foi atingida e que os transtornos causados pelo desastre natural foi sentido por quase a totalidade da população.

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Umas das situações mais dramáticas causadas pela enchente foi retratada pelo fotojornalista Sérgio Vale, da Agência de Notícias do Acre, nas imagens que ilustram o post. Dezenas de casas foram arrancadas do solo pela força das águas e algumas foram levadas inteiras pelo rio.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

ENFIM, A VAZANTE

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Depois de atingir a marca histórica de 18,28 metros em Xapuri, o Rio Acre apresentou sinal de estabilização na manhã desta sexta-feira, 27, e começou a vazar no começo da tarde. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, o nível das águas se encontrava em 18,24 metros às 14 horas, o que representa uma baixa de 4 centímetros.

Até o último boletim divulgado pela Coordenação de Defesa Civil, o município tinha mais de 700 famílias atendidas. O número de pessoas atingidas pela enchente é superior a dois mil viventes. Desse total, 350 eram crianças com idade entre 0 e 8 anos. 153 tinham entre 9 e 18 e 236 eram idosos. Os desabrigados estão em 14 abrigos públicos.

Na medição das 17 horas, o nível do rio baixou para 18,19 metros.

MINISTRO DA INTEGRAÇÃO NO ACRE

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O ministro da Integração Nacional. Gilberto Occhi, chegou a Xapuri na manhã desta sexta-feira, 27, para inspecionar os estragos causados pela maior enchente da história da cidade. Junto com ele estavam o governador Tião Viana e a bancada federal acreana.

A comitiva foi recepcionada pela prefeito Marcinho Miranda, que expôs a situação do município e recebeu a garantia do representante do governo federal de que todos os esforços serão feitos para que a cidade enfrente o momento difícil que vem passando.

Gilberto Occhi garantiu que a ajuda emergencial chegará através dos kits de medicamentos, do Ministério da Saúde; e com cestas básicas, água, colchões e kits de limpeza, do Ministério da Integração, e também através do aluguel social.

“O que eu posso trazer para essas famílias, para a cidade de Xapuri e as outras cidades também, é que o governo federal vai se empenhar para trazer toda a ajuda possível para que a vida dessas pessoas possa ser reconstruídas”, afirmou o ministro.

Occhi informou ao governador Tião Viana e o prefeito Marcinho Miranda que uma equipe do Ministério da Integração Nacional vai permanecer no Acre até as águas baixarem para começar a fazer o levantamento das casas atingidas que serão reconstruídas com o apoio do programa Minha casa, minha vida.

De Xapuri, o ministro se dirigiu aos municípios de Epitaciolândia e Brasiléia. De lá retornou para Rio Branco, onde se reuniu com o governador Tião Viana  e equipes da Defesa Civil local. Às 12h45, concedeu entrevista coletiva no Hangar Centro Integrado de Operações Aéreas do Governo do Acre (Ciopaer), no aeroporto da capital.

GOVERNO ENTREGA MEDICAMENTOS EM XAPURI

Márcia Moreira, da Agência de Notícias do Acre.

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Foto: Sérgio Vale/Secom

O governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde (Sesacre), realizou na madrugada desta sexta-feira, 27, a entrega de medicamentos em Xapuri. Ao todo, foram enviados mais de 300 itens, entre eles insumos laboratoriais, como seringas e luvas, e kits de medicamentos para primeiros socorros, como vermífugo, analgésicos, antitérmicos e soro fisiológico.

O objetivo é atender o município que, no momento, passa por uma das maiores cheias já registradas. A Sesacre enviará também remédios para Brasileia e  Assis Brasil, também atingidas pela cheia do rio.

“Estamos levando estes medicamentos para que neste período haja todo o abastecimento necessário ao atendimento à população atingida pela enchente”, explica o secretário Adjunto de Administração e Finanças da Sesacre, Kleiber Guimarães.

O governo, em parceria com todas as secretarias, presta apoio e assistência às prefeituras e à população atingida pelas cheias. “Esse apoio é imprescindível, pois é justamente para atender as pessoas que estão no abrigo em situação emergencial”, diz Jocires Ângelo, coordenador da Defesa Civil de Xapuri.

MINISTRO VERÁ ESTRAGOS DA ENCHENTE

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O ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, virá ao Acre nesta sexta-feira, 27, para inspecionar os estragos causados pelas enchentes e discutir com as autoridades locais um conjunto de medidas de socorro e assistência às vítimas.

Occhi estará acompanhado de técnicos dos ministérios da Defesa, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Educação, da Saúde e da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) do Ministério da Integração.

O ministro chegará a Rio Branco na manhã desta sexta-feira e voará até Xapuri. Em seguida, se deslocará para Brasiléia, onde percorrerá as ruas do município em barcos do Corpo de Bombeiros. A Sedec reconheceu situação de emergência nas três cidades, além de Assis Brasil e Epitaciolândia, nesta quinta-feira (26/2).

No final da manhã, de volta a Rio Branco, Occhi se reunirá com o governador Tião Viana, e equipes da defesa civil local. O ministro concederá entrevista coletiva às 12h45 no Hangar Centro Integrado de Operações Aéreas do Governo do Acre (Ciopaer), no aeroporto da capital.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO

PORTARIA N° 17, DE 25 DE FEVEREIRO DE 2015

Reconhece situação de emergência por procedimento sumário em municípios do Estado do Acre.

O SECRETÁRIO NACIONAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL, com base no Decreto nº 7.257, de 04 de agosto de 2010, Art. 7º, § 3º, no uso da competência que lhe foi delegada pela Portaria Ministerial nº 1.763-A, de 07 de novembro de 2008, publicada no Diário Oficial da União, Seção 2, de 23 de dezembro de 2008, e Considerando o Decreto nº 1425, de 23 de fevereiro de 2015, do Estado do Acre, Considerando ainda as demais informações constantes no processo nº 59050.000203/2015-48, R E S O LV E:

Art. 1º Reconhecer, em decorrência de inundações, COBRADE: 1.2.1.0.0, a situação de emergência por procedimento sumário nos Municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia, Rio Branco e Xapuri.

Art. 2º Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação.

ADRIANO PEREIRA JÚNIOR – Secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Clique aqui para visitar a página do DOU em que está publicada a portaria.

RIO ACRE DIMINUI RITMO, MAS AINDA SOBE

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O Rio Acre ainda não deu sinal de vazante, como era esperado para o dia de hoje após a baixa de mais de um metro ocorrida em Brasiléia nas últimas 24 horas. Em Xapuri, as águas estão acima dos 18,20 metros e mais de 600 famílias estão distribuídas por 14 abrigos da Defesa Civil. O número de pessoas atingidas pela cheia é superior a 1600.

De onde surgiram tantos idiotas no Acre?

Alice Cunha Rodrigues

Olhando sites de notícias me deparo com a manchete “Por medo da cheia do Madeira, líder de igreja no Acre ensina ovelhas a armazenarem alimentos”. Para além do lastimável texto, carregado de lugares comuns e imbecilidades diversas, o fato é que o Kit Dilúvio sugerido pelo pastor Ivanilson Cavalcante, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, é a prova mais que final do tipo de fundamentalismo que vivemos por esses dias. Mas não é isso o foco deste texto, estamos entrando na Era dos Imbecis!

Não contente em interpretar de modo caricatural o texto bíblico, o dito pastor montou um pequeno cardápio para seus seguidores comprarem, no caso do Rio Madeira vir produzir a era diluviana anunciada por ele.

Prova incontestável de como o Acre esta cheio de idiotas, surgidos não se sabe de onde. Os conselhos do pastor nos remete a perda da razão, essa luminária que herdamos dos séculos passados. Em seu lugar, estamos vendo vicejar um mar de superficialidades, pensamento maroto e um sem numero de gentes sem noção.

Vamos repassar algumas pérolas dos “cinquenta tons de cinza do pensamento acreano”:

– “Preparados para o dilúvio”? É a matéria com os conselhos do reverendo Ivanilson;

– “Vai ser muito selfie”. Longo esforço do escriba Ray Melo sobre implante capilar do governador. Talvez seja a prova que podemos ir ainda bem mais fundo no poço das ações desinformativas; O mesmo rapaz, concorrente forte ao posto de desinformante do ano, ”previu” que Jorge Viana sairá do PT e irá para a Rede, aquele aglomerado de hipócritas neopentecostais. Esse Cordeiro vai longe, conta piadas ruins, mas se estudar, quem sabe?

-Coluna da Gina Menezes: “A situação da demissão dos 11 mil servidores é irreversível”. O erro não é nosso, apenas atesta que o vírus da imbecilidade linguística já pode estar em avançada mutação, Isto já é a próxima fase. Entendeu, Abestanildo?

-Diário Oficial: Por falta de espaço as pérolas do DO ficarão para a próxima versão, mas são muitos “causos”.

-Jéssica Sales oferece auxílio aos alagados do Alto Acre: Vai ajudar seu pai a (in)governar Cruzeiro do Sul deputada, por favor!

-Senador Sérgio Petecão subindo o tom e cobrando menos selfie. O nobre parlamentar é um bom carnavalesco, já como senador…

Mas, o que falar dos milhares de zumbis, imbecis de todo quilate que consomem essas noticias diariamente, via redes sociais? Para mim só tem uma explicação plausível: Ou o Acre está sofrendo uma invasão do gênero homo idioticus, ou é mesmo a degeneração da espécie. Difícil decidir qual a mais trágica.

Vou ficar por aqui; O leitor já está ciente do espancamento mental a que somos submetidos diariamente, mas deixo registrado neste matutino o quanto o pensamento, essa atividade de criação e da imaginação humana, está sob ataques.

Ah! A única coisa boa do kit do pastor Ivanilson é que o “sacolão” sugerido por ele vem com feijão, tapioca e até um vidro de molho. Quem sabe, ao nos livrarmos das hordas de idiotas comemoramos com esse kit?

Alice Cunha Rodrigues é acreana de Porto Acre, formada em Ciências Sociais e Letras.

*Artigo publicado originalmente no Página20.net.

Resposta ao desastre

Governo amplia ações de Defesa Civil na enchente histórica de Xapuri

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Em razão do agravamento da enchente do Rio Acre em Xapuri, o governo do Estado resolveu reforçar, em parceria com a prefeitura, as ações de Defesa Civil no município que enfrenta a maior alagação de sua história. O nível das águas alcançou, na manhã desta quinta-feira, 18 metros e 08 centímetros.

A cidade tem um total de 611 famílias retiradas de suas casas, sendo 133 desabrigadas e 478 desalojadas. 1.655 é o número de pessoas diretamente atingidas pelo desastre natural. O número de bairros alagados chegou a sete. Várias localidades na zona rural do município estão isoladas pela enchente.

Para coordenar as ações da Defesa Civil Estadual na cidade, durante o período de crise, o governador Tião Viana enviou para Xapuri o secretário de Segurança Pública, Emylson Farias. Sob a responsabilidade de Farias está o funcionamento de 11 equipes compostas por policiais militares, bombeiros, soldados do Exército e voluntários civis. De acordo com o secretário, o grande objetivo do governo é prestar auxílio e solidariedade à população de Xapuri.

“Nosso papel aqui é conduzir de maneira eficiente e objetiva, juntamente com a prefeitura, todos os movimentos da Defesa Civil Estadual no sentido de minimizar o sofrimento das pessoas afetadas por essa tragédia. A determinação do governador Tião Viana é de que não meçamos esforços para ajudar e confortar essa gente”, afirmou Emylson Farias.

Atendendo solicitação do governador, o 7º Batalhão de Engenharia e Construção – 7º BEC - enviou a Xapuri 11 caminhões traçados e um efetivo de 48 soldados para reforçar o trabalho de socorro às vítimas. No total, 159 homens estão à disposição da Defesa Civil. Além de fazer o resgate de pessoas nas áreas alagadas e de transportar os bens materiais, o trabalho também consiste em viabilizar os abrigos e coordenar a oferta de água potável e alimentação.

O Instituto de Ciência e Tecnologia do Acre – IFAC – está arrecadando donativos para os desabrigados da enchente. Os 16 abrigos disponibilizados aos desabrigados de Xapuri já receberam do governo 300 sacolões e 150 colchões. Da Assembleia Legislativa do Acre chegaram mais 100 sacolões.

Histórico

Águas do Rio Acre entram na igreja de São Sebastião

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O Rio Acre segue subindo. Águas entraram na igreja de São Sebastião por volta das 2h da manhã desta quinta-feira, 26. Xapuri tem um total de 611 famílias retiradas de suas casas, sendo 133 desabrigadas e 478 desalojadas. 1.655 é o número de pessoas diretamente afetadas pelo desastre natural. O número de bairros atingidos chegou a sete, além de várias localidades na zona rural do município. Nível atinge 17,75 metros.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Rua 17 de Novembro

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Depois da Rua 6 de Agosto, a Rua 17 de Novembro, também foi inundada na tarde desta quarta-feira, 25. As duas ruas, que se encontram numa curva onde já existiu o porto da Praia do Zaire, formam o que chamamos de “Centro Comercial de Xapuri”.

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Incrédulos quanto à possibilidade de a enchente os atingir, muitos comerciantes retiraram seus produtos quase que ao mesmo tempo em que a água invadia as lojas. Na primeira imagem, a famosa Casa Portuguesa sendo inundada pelo Rio Acre.

À porta da igreja

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O nível do Rio Acre continua a subir em Xapuri chegando aos 17,20 metros de profundidade na tarde desta quarta-feira, 25, proporcionando uma imagem que talvez jamais tenha sido vista: canoas atracando em frente à igreja de São Sebastião.