quinta-feira, 24 de maio de 2007

Mau exemplo de gestão ambiental

Aterro Sanitário se transformou em pasto para gado

Margens da Estrada da Variante estão virando lixão



Um problema ambiental dos mais graves continua sendo ignorado pelas autoridades em Xapuri. Trata-se do aterro sanitário do município, que desde o início do ano vem sendo alvo de denúncias feitas pela comunidade e por alguns vereadores, em virtude dos perigos que o local destinado a receber o lixo da cidade está oferecendo à saúde pública.

O problema mostra que em Xapuri, a experiência do Projeto de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos para a Amazônia foi um completo fracasso. O projeto, lançado em 2003, se propunha a executar experiências-piloto em nove municípios, sendo um em cada Estado da Amazônia, para testar processos e formas adequadas para enfrentar os graves problemas ambientais e de saúde pública resultantes do lixo urbano gerado.

Os municípios selecionados pelo projeto foram: Cururupú, no Maranhão; Guajará-Mirim, em Rondônia; Juína, em Mato Grosso; Laranjal do Jari, no Amapá; Manicoré, no Amazonas; Porto Nacional, em Tocantins; Xapurí, no Acre; Breu Branco, no Pará e Caracaraí, em Roraima. A esses municípios se juntou, posteriormente, Tucuruí, no Pará.

Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, de acordo com o MMA, é a maneira de conceber, implementar e administrar sistemas de Limpeza Pública considerando uma ampla participação dos setores da sociedade com a perspectiva do desenvolvimento sustentável. Para isso, vários setores da sociedade local foram envolvidos na discussão e na responsabilidade pela implantação e andamento do projeto. Em Xapuri foi firmado um pacto entre prefeitura, Ministério Público e Ibama.

Passados alguns anos, parece que todos esqueceram suas responsabilidades. O que era para ser o aterro sanitário voltou a se tornar o mesmo lixão que existia na entrada da cidade causando transtornos à população e ameaça à aviação, já que se localizava nas proximidades da pista de pouso da cidade. A diferença, agora, é que o lixão está localizado na Estrada da Variante a cerca de 10 km da zona urbana. Atualmente, no local, o lixo encontra-se a céu aberto, sem o menor tratamento, e o que é pior: o gado das fazendas vizinhas está se alimentando do lixo exposto.

As atuais condições de funcionamento do aterro são as piores possíveis. A prefeitura parece ter perdido completamente o interesse pelo projeto e o resultado disso foi que em 2005, por falta de cumprimento de prazos para a apresentação de projetos, não acessou os recursos relativos à segunda fase do programa. Esses recursos seriam destinados à construção do sistema de combustão dos gases produzidos pelo lixo enterrado.

Diariamente, dezenas e dezenas de bois disputam o lixo com ratos e urubus, fato que pode representar um grave perigo para a saúde pública no município, pois o gado da região, por ser de corte, seguramente vai parar na mesa do consumidor. A situação tem gerado reclamações da população e algumas denúncias por parte de alguns vereadores. O Ministério Público ameaçou, mas até o momento não tomou nenhuma medida quanto ao problema.

Como se tudo isso não fosse bastante, os funcionários responsáveis pelo transporte do lixo até o aterro, por pura preguiça (se houver outra razão, por favor, me informem), estão jogando os resíduos nas margens da Estrada da Variante como é possível perceber nas fotografias. Entulhos, restos de construção, tudo espalhado por quase toda a extensão da estrada, entre o prédio do Sesc e a entrada do acesso ao bairro Laranjal. Uma verdadeira imundície, resultante de um trabalho vergonhoso e repugnante de pessoas que não prezam sequer pelo lugar onde vivem.

Nas oportunidades em que se pronunciou sobre o assunto, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente alegou a falta de equipamentos para processar a correta destinação do lixo. O único trator existente para execução desse serviço estava quebrado, sem previsão de conserto.

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